sábado, 24 de janeiro de 2009

Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.
Não o quero, amada.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela…
Pablo Neruda
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Um certo homem ouviu dizer que óleo de fígado de bacalhau era bom para saúde do seu cachorro.
Então resolveu dar o óleo todos os dias para o animal.
Prendia o pobre cachorro entre as pernas e enfiava o óleo goela abaixo.
O animal rebelava-se e debatia-se furiosamente.
Todos os dias a mesma coisa.
Um dia, o cachorro soltou-se e, para espanto do homem, o animal veio e lambeu a colher de óleo!
Foi aí que o homem entendeu:
O cachorro não lutava contra o óleo, mas sim contra o método usado pelo homem para lhe dar o óleo.
Muitas vezes o problema não é o que fazemos, mas como fazemos.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Pablo Neruda

sábado, 10 de janeiro de 2009
Num céu azul claro…muito suave as nuvens se deslizam sobre esse infinito e suave azul.
Parecem floquinhos de algodão…muito brancos e até parecem querer saltitar ao além…
Eis que desponta a primeira estrela …e trás um brilho intenso de prata muito suave também…
Seria meu coração responsável por essa paz? tanta e tamanha paz! Sei que se eu olhar mais atentamente aqueles floquinhos esvoaçantes no céu…talvez estejam a esconder um Anjo Azul…
Belita Mell
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Enquanto ouvia uma tempestade a cair, fui pensando que a vida de tão igual a esta tormenta acaba nos deixando á mercê desses sentimentos em contramão. Se num dia sou luz e calor do sol…me aqueço e irradio calor e luz, no outro dia sou nuvens ventos e raios que se fazem caminhos entre labirintos a descarregar angústias , incertezas e desesperanças que deixam uma espécie de vazio num céu cinza da alma, onde ja sinto a névoa que desce sobre minha vida solitária e lutadora.
Percebo então que o sentimento que criou esta nuvem, não a fez para ser uma tormenta, porém uma saída …
Os sentimentos nunca estão na contramão…eu os dirijo…
Se sou luz e calor…posso então ser trevas e friamente produzir caláfrios e tremores…depende da escolha e do estado de espírito.
Quando posso sentir a incerteza das coisas, a desesperança pelo desconhecido amanhã, a angústia pelo que desejo e não possuo, e desfaço esses sentimentos em tormentas e tempestades…neste instante a alma que vazia se debatia em céus acizentados encontra nos labirintos da existência caminhos para seguir…e assim se esvair.
A alma que se debatia entre rajadadas de ventos gélidos …agora renasce entre as nuvens…mostra sua força interior…
Lá no final do labirinto da alma um arco-íris se faz colorir pelas sete cores e cada tom…um calor que se agrupam e assim vai aquecendo o espírito lutador que trago comigo…
Agora já se fez gigante este arco…O calor que dele emana pode até alcançar você…
Irradio então luz e calor…porém percebo…este mesmo calor irá transformar céus claros em lindas e assombrosas tormentas…
Eu sei…

Belita Mell
sábado, 3 de janeiro de 2009
Dia foi tão promissor! Tranquilamente eu caminhava nas ruas quase desertas…
Você ao meu lado também sentia a paz que vinha no vento suave que prenunciava a chuva acinzentada que o horizonte já perfumava com suas gotículas cristalinas.
Eu imaginei então um mundo unicamente feito dessa paz, onde eu podia sentir o calor de suas mãos a amparar os mais lindos sonhos que gostaria de viver.
Mas assim como a chuva se foi…eu com ela também fui para outros horizontes.
E o vento suave já não sinto agora a me tocar o rosto, de suas mãos já não sinto o calor, mas uma certeza trago em meu ser…
Como a chuva de verão que desponta no horizonte e do mesmo modo some em outro, assim eu também…
Belita Mell