Caminhando contra ventos e tempestades…

Caminhos que seguem, esperanças que se renovam a cada sol nascente.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Estrela da Madrugada…

Estrela que me nasceste quando a vista mal te alcança
nessa abóbada celeste,onde a nossa alma descansa a sua última esperança…
Estrela que me nasceste quando a vista mal te alcança!

Antes nascesses mais cedo, estrela da madrugada, e não já noite cerrada…
Que até no céu mete medo ver essa estrela isolada…
Antes nascesses mais cedo.
Estrela da madrugada!

 

 

João de Deus

criado por melisie    15:00:20 — Arquivado em: Poema

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os Poemas…

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

 Mário Quintana

criado por melisie    19:09:15 — Arquivado em: Poema

domingo, 11 de janeiro de 2009

Se cada dia cai…

 


Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda

criado por melisie    08:24:40 — Arquivado em: Poema

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

ELEGIA 1938…

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas por entre os mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Carlos Drummond de Andrade

criado por melisie    21:25:43 — Arquivado em: Poema

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Rua dos Cataventos …

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

 

Mario Quintana

criado por melisie    20:30:15 — Arquivado em: Poema
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