Caminhando contra ventos e tempestades…

Caminhos que seguem, esperanças que se renovam a cada sol nascente.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Nos Bosques, Perdido

Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.
Não o quero, amada.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela…

Pablo Neruda

criado por melisie    14:25:45 — Arquivado em: Poesia, Poesias

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Aos que partiram…

Há tempos atrás eles estavam em todos os lugares,
sentados na poltrona da sala, na varanda…
percorriam os quatro cantos da casa,conversavam, sorriam, zangavam-se…
podíamos encontrá-los num piscar de olhos,

 Hoje o nosso olhar já não os alcança,
sómente o coração os sente vivos, todos muito vivos dentro de nós…

Não estão encerrados entre pedras,
estão no aroma das flores,
que nos abraça a alma, e nos envolve na paz,

Hoje eles voam livres
e são como a luz das estrelas
e dizem baixinho enquanto dormimos…

Um dia voltaremos a nos encontrar!

 

 

criado por melisie    18:38:00 — Arquivado em: Poesias

domingo, 6 de julho de 2008

O tempo passa…

O Tempo passa, fazemos um balanço.
De um lado, tudo que vivemos…
Do outro, o que gostaríamos de ter vivido…
A balança pende…
Fico parada olhando…
Mudar agora?

Talvez!
Será preciso?
Não sei…
Reuno tudo…
Bagagens de uma vida…

Tudo que gostaria, e tudo que tenho…
E continuo a caminhada…

Querendo sem querer!!!

Texto: Amy

criado por melisie    21:39:10 — Arquivado em: Poesias

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O amanhecer e a brisa…

Vem o dia surgindo preguiçoso
A claridade empurrando as brumas
Que ainda cobrem a montanha.
Foge a noite com seu manto
Para um lugar indefinido.
Fazendo abrir as flores sonolentas
Que ainda sugam o néctar coletado
Nas gotas de orvalho
Da madrugada fria.
A lua num gesto de orgulho
Reluta em ceder seu lugar ao sol.
Vem a brisa…
Percorre a superfície de seda do lago
Eriçando as pequenas ondas
Sopra suavemente, causando arrepios
Na copa das árvores.
E no seu ímpeto de espalhar o amor
Cria movimento.
Acorda o mundo.
Faz tremular a chama da vela
Na cabana do pescador.
É hora de despertar.
Vem Amanhecer !
Vem Brisa !
Juntos criem a vida
Façam a poesia acontecer.

~ Almir Capthor ~

criado por melisie    21:22:09 — Arquivado em: Poesias

domingo, 15 de junho de 2008

O Amor não acaba…

O Amor não acaba…

O que acaba é o falso amor que vem mascarado ,
fantasiado de Paixão, Ciúmes, Tesão, Egoísmo,
Sentimento de Posse, Prepotência ,Domínio
sobre o ser que se diz amar tornando-o dependente

O Amor não acaba…
Por mais teorias e crônicas que possam existir
ele transcende o tempo, o espaço
e permanece inalterável e inabalável
uma vida inteira e nem mesmo a morte o destrói.

O Amor não acaba…
O verdadeiro amor é ‘Único" e " Incomparável
Ele suporta todas as intempéries da vida
Todas as avalanches e tempestades.
Porque o Amor é perdão!

O Amor não acaba…
Nem na cidade, nem no campo,nem no mar,
ele não acaba nas esquinas e nem nos bares
nem mesmo na ausência
E ainda cresce na solidão.

O Amor não acaba…
A cada estação do ano ele se torna mais firme!
O amor não acaba na Primavera, onde floresce,
nem no Verão onde o calor o alimenta,

Nem no Outono porque é quando se renova
e muito menos no Inverno
pois no aconchego das noites frias ele procura o seu par
para amadurecer e torna-se eterno.

O Amor não acaba …
Só quem realmente ama é que sabe
Que o Amor não acaba

" Quem acha que o Amor acaba é porque realmente nunca amou"

(Texto Marilene)

criado por melisie    16:26:32 — Arquivado em: Poesias

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ausência…

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

 

Carlos Drummond de Andrade

criado por melisie    10:51:50 — Arquivado em: Poesias

domingo, 8 de junho de 2008

O Vento na Ilha.

Vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.
Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.

 

 

(Pablo Neruda)

criado por melisie    19:32:58 — Arquivado em: Poesias

sábado, 31 de maio de 2008

Poesias de Pablo Neruda.

É assim que te quero amor, assim amor, é que eu gosto de ti, tal como te vestes e como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri, ágil como a água da fonte sobre as pedras puras, é assim que te quero, amado

Ao pão não peço que me ensine, mas antes que não me falte em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai, apenas quero que a luz alumie, e também não peço à noite explicações, espero-o e envolve-me,
e assim tu pão e luz e sombra és.

Chegastes à minha vida
com o que trazias, feito ,de luz e pão e sombra, eu te esperava, e é assim que preciso de ti, assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.

Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.

 

Pablo Neruda

 

Tu eras também uma pequena folha que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube que ias comigo, até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito, se uniram aos fios do meu sangue, falaram pela minha boca, floresceram comigo. 

 

Dois amantes felizes não têm fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem, são eternos como é a natureza.

Não te quero senão porque te quero, e de querer-te a não te querer chego, e de esperar-te quando não te espero, passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero. Odeio-te sem fim e odiando te rogo, e a do meu amor viajante, é não te ver e amar-te, como um cego.

 

Tal vez consumirá a luz de Janeiro, seu raio cruel meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego, nesta história só eu me morro, e morrerei de amor porque te quero, porque te quero amor, a sangue e fogo.

 

 

Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.

Pablo Neruda

criado por melisie    19:47:44 — Arquivado em: Poesias

Estrela…

Estrela que me nasceste quando a vista mal te alcança
nessa abóbada celeste,onde a nossa alma descansa a sua última esperança…
Estrela que me nasceste quando a vista mal te alcança!

Antes nascesses mais cedo, estrela da madrugada, e não já noite cerrada…
Que até no céu mete medo ver essa estrela isolada…
Antes nascesses mais cedo.
Estrela da madrugada!

 

 

João de Deus

criado por melisie    19:09:42 — Arquivado em: Poesias

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Nos Bosques,Perdido.

Nos Bosques, Perdido

 
Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um grito ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.
Não o quero, amado.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela…

 

Pablo Neruda

criado por melisie    15:27:23 — Arquivado em: Poesias
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